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Subject: ESSEN, a Portuguese Experience rss

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Paulo Soledade
Portugal
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Posted at http://spielportugal.blogspot.com/

Dusseldorf 9:00 - O dia acordou cinzento. O comboio, na estação central, ia partir com destino ao el dorado, Essen. Em busca da quimera do ouro lá íamos nós, central adentro, tentando descobrir onde é que raio se compram a porcaria dos bilhetes. Dizem-nos que é naquelas máquinas automáticas. Lá fomos. E aqui começam as complicações. Está tudo escrito em alemão. Para um comum mortal que vai de Portugal para a Alemanha ver uma feira de jogos, não é fácil aprender alemão virado para uma máquina que emite bilhetes de comboio. Milhares de horários, vários tipos de comboio, enfim, aquela confusão. Surpresa #1: os polícias na Alemanha são muito prestáveis e sabem falar inglês. Depois da empreitada dos bilhetes lá entrámos nós no comboio às 9:45. O programa alinhavado no dia aterior, no vôo de 3 horas, previa a saída de Dusseldorf pelas 9:00 com chegada a Essen à hora de abertura da Messe - 10:00. Por causa da língua, não foi possível.

Essen 10:35 - chegados à estação central de Essen, teríamos de apanhar o metro para uma viagem de quase 5 minutos até à porta da Messe. O problema do bilhete para o metro era idêntico ao do comboio. Para grande felicidade nossa estava uma senhora alemã, simpática e muito eficiente, a ajudar os forasteiros a tirar bilhetes. Ajudados, lá fomos.

Messe Essen 10:45 - Subidas as escadas que saíam do metro, deparámo-nos com filas e filas de gente à cata do bilhete para a entrada na feira. Na candonga, alguém tentava vender um par de bilhetes um pouquinho mais baratos. Como bons tugas desconfiados, achámos que podiam ser falsos e não quisemos. Alguém, mais afoito, comprou e entrou. No problemo. Os bilhetes eram bons. Chegados à bilheteira, bilhetes e catálogo comprados. Cá vamos nós para o acontecimento do ano.

Entrada 11:00 - Um mundo de gente. O lobbie da Messe fica num patamar mais elevado que os pavilhões. Ou seja, chegando à entrada do primeiro pavilhão, olhando do cimo das escadas, via-se uma multidão de geeks, stands, jogos, cores, nomes de editoras conhecidas, um cagaréu impressionante. Quase que senti um arrepio. Quase.
A minha mulher, fiel companheira de máquina fotográfica, lá ia tirando as fotografias para pôr na caderneta lá de casa. Pessoas normais, pessoas gigantes, pessoas pequenas, crianças, adultos, mulheres, homens, heróis de capa e espada, o elenco do Star Wars, uma coisa parecida com o lobo mau do capuchinho vermelho, enfim, tudo para todos os gostos.

No chão dos muitos pavilhões, por entre stands, jogos e pernas, geeks sentados, comiam e fumavam, às vezes ao mesmo tempo. Mesas e mesas de jogos a serem experimentados, alguns, outros, protótipos, testados. Eu lá ia, de boca aberta, a olhar para tudo, vendo.

Decidira não comprar nada antes de ver os preços em todo o lado. Levava a minha listinha de meia dúzia de jogos que queria, reliosamente, cumprir, mas não deixava de parte uma ou outra adenda. Para alguém como eu que é comerciante, as adendas são obrigatórias. Fazem parte do negócio. Um bom negócio não pode ser prejudicado por uma listinha rígida.

O estado de fascinação era tal, no meio de tanta confusão, que tivemos de parar para comer e ordenar as ideias. Fazer um plano, olhar para o catálogo, enfim, repensar a estratégia.
Com um sentimento de paz interior, mais descansados, prosseguíamos a nossa jornada.

Cotovelos em riste, para evitar ficar com uma ou duas costelas rachadas, lá fomos nós, novamente, na tentativa de respeitar a listinha.

First things first
Erro #1 - querer ver tudo antes de decidir. Faz sentido querer apreciar, analisar, ver, rever para se tomar uma decisão. Tuga que é tuga regateia e discute pelo melhor preço. Encontrar o Taluva a 18€ pode não ser suficiente. Se nós andássemos mais um quilómetro dentro da feira, para trás e para a frente, por entre gigantones e nerds, talvez pudéssemos comprar o Taluva por 17€.

A esta distância, tenho de rever a estratégia. Com os custos inerentes a uma viagem a Essen, poupar um tostão num jogo é, pelo menos, ridículo. Ainda por cima, aprendendo da pior forma. Alguns jogos, não tendo sido comprados na altura em que passei por eles da primeira vez, acabaram por esgotar. Burro! Para a próxima não acontece. Comprar aquilo que queremos comprar e depois sim, depois, as tais alterações à listinha, sempre que aparecer aquela pechincha.

Erro #2 - Lei de Murphy

Esta não é uma lei de Murphy mas podia ser: "Quando não se quer cometer o erro #1 comete-se o erro #2".

Pois é. Então, depois de ter percebido que não podia continuar a adiar mais as tais comprinhas da tal listinha obrigatória, sob pena de ficar sem stock, lá comecei a diáspora das aquisições. Gheos, Perikles, Leonardo, Through the Ages, Taluva, Antiquity... Enquanto ia avançando nas compras ia trazendo, pendurando nas mãos, quilos e mais quilos de jogos. Fui dividindo com a minha mulher o peso dos jogos e os sacos e saquinhos e saquetas à medida que a densidade populacional em Essen não diminuia. Parecia o Baby Boom dos geeks. O pessoal multiplicava-se por entre os corredores, eu e a minha mulher, agora, com arrobas de jogos pelas mãos, tropeçávamos em tudo e todos, suávamos, guinávamos para evitar embates maiores, ainda por cima não querendo danificar as caixas dos jogos. Mariquices!

Ou seja, resumindo, para se comprar tudo no início da feira, temos de passar muito tempo carregados como burros. Este é o erro #2.
Qual é a solução para estes dois erros? Eu vi a solução. Eu vi!!! Pessoal com muito mais experiência nestas andanças, levava daqueles carrinhos para carregar bilhas de gás, sacos tamanho XXL do Ikea atados com cordas de alpinista para segurar tudo, carrinhos tipo Continente, enfim, o que vos puder ocorrer. É uma boa solução. Sobretudo para quem não viajar de avião.

No final daquele dia na feira, 8 ou 9 horas depois de ter lá entrado, queria e não queria ir embora. Saía cheio de saudades mas também cheio de nódoas negras, tendinites, torcicolos e, ainda assim, um brutal sorriso nos lábios. Foi esquisito. Nunca me tinha divertido tanto a ter tanto trabalho. É impressionante o trabalho que dá visitar 12 pavilhões daquele tamanho cheios de stands, uns enormes outros merdosos, com litradas de jogos e jogos e gente e gente. Foi Fabuloso. Havendo saúde (e dinheiro) para o ano lá estarei.

Sobre os resultados que os jogos foram tendo durante a feira, os buzzs, os tops do Rick ou do Zé Manel, devo dizer que é tudo treta. Na minha opinão, claro.

As maiores editoras, Ravensburger, Kosmos, Rio Grande, só para citar algumas, têm dezenas de mesas para se poder jogar os seus jogos. As outras, editoras menores, Ystari, Warfrog, Mind the Move, não têm espaço para isso. Ainda não o conquistaram. Ora, sendo assim, é natural que, por cada jogo da Ystari que está a ser jogado, dezenas de jogos da Ravensburger estão a sê-lo também. É uma proporção disparatada. Aquilo que se vai ouvindo na feira serve para fazer as coisas à americana. Aquela necessidade extrema que os americanos têm de quantificar tudo, o mais rapidamente possível, para poderem encaixar tudo em compartimentos. Aquilo que sobra para além disso eles não conseguem entender. Tudo tem de ser formatado.

A grande vantagem desta coisa dos jogos de tabuleiro é, precisamente, o não podermos formatar as coisas de forma tão linear como por vezes eles (parece que estou a falar do inimigo) o fazem. Os jogos têm de ser jogados à séria, num ambiente próprio para isso, daí resultando todo um conjunto de apreciações, mais ou menos válidas. Agora, quererem, logo no primeiro dia de feira, estabelecer parâmetros daqueles que vão ser os sucessos do ano é, pelo menos, ridículo.

A listinha de coisas a comprar tem de ser trabalho de casa. Alguns eram paixões antigas, outros resultado de pesquisa pessoal, ou baseado em autores, editoras, temas, outros ainda, baseados em sugestões de outros (vide http://jogosdetabuleiro.blogspot.com/). De qualquer das formas, e tirando o efeito visual de alguns dos jogos depois de vistos os componentes pela primeira vez, não é jogando em Essen que se tiram grandes conclusões.

Grande vantagem é a de conseguirmos cópias autografadas, in loco, pelos autores, ilustradores dos jogos. Graças a isso consegui um Perikles, um Yspahan, um Antiquity e um Hermagor, autografados. E gostei disso.
Para resumir, só comprei aquilo que trazia referenciado e também alguns bons negócios que encontrei, de resto, se trouxe jogos bons ou maus, vou ter de experimentar. E não vai ser a experiência de 4 dias de feira que me vai fazer chegar uma opinião sustentada dos melhores e dos piores.

Um agradecimento especial à minha mulher e companheira de viagem que, para além da máquina fotográfica e da paciência, me ofereceu esta viagem de sonho. Ela merecia um panegírico na abertura deste post, mas neste espaço tão pequeno, não era fácil...

Paulo Soledade
 
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Filipe Silva
Portugal
Porto
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Bom review! [Desculpa o atraso da resposta ] Com os voos da Ryanair para Frankfurt ao preço da chuva não há razão para nós tugas não irmos a Essen!
 
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