Felipe Betschart
Brazil
Atibaia
Sao Paulo
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O que dizer de um jogo de tabuleiro genuinamente brasileiro com um tema super divertido, mecânica interessante e original e, o mais importante, a um preço módico? Este é o mais novo jogo da dupla Sergio Halaban e Andre Zatz, o “Pega o Pinguim”, publicado este ano pela Game Office e destinado a jogadores com idade mínima de oito anos.
Nesse jogo, os participantes assumem o papel de pesquisadores em busca de pinguinzinhos. Que tipo de pesquisa eles querem fazer ninguém sabe, ninguém viu. Só espero que não judiem dos coitadinhos, senão chamaremos o IBAMA! (essa foi ruim, eu sei). Na verdade, o porquê da caça não interessa: o importante é a diversão.
A cada rodada, os pinguins se movimentam e os jogadores têm que se virar para capturá-los. Vale tudo nessa caçada, desde uma simples caminhada pelo tabuleiro até o uso de ferramentas como mão retrátil e isca de pinguim. Nessa aventura, independente de quem caçou mais ou menos, a certeza é que os jogadores vão se divertir bastante.
O jogo se passa no gelo, mas o que ele pretende – e deve conseguir, na minha opinião – é aquecer a produção de jogos de tabuleiro no Brasil, país que possui bons autores e empresas interessadas no ramo, mas que ainda não tem tradição (nem raiz cultural) nesse tipo de entretenimento.

Vamos ao que interessa!

Por fora, a caixa já chama a atenção pelos desenhos dos pesquisadores, meio desajeitados, tentando caçar pinguins numa gélida paisagem que faz lembrar a imensidão fria da Antártida. Por falar em pinguins, os desenhos dos bichinhos criados por Alexandre Matos provocam risada até no mais sisudo homem barbado. Os pinguinzinhos são hilários e fazem lembrar o “Pingu” - quem não conhece essa criatura?

Dentro da caixa, a primeira coisa que se vê é o tabuleiro, depois as cartelas de cartas e o livreto de regras. Para quem está acostumado com jogos importados, as tais cartelas não animam muito pelo tipo de papel utilizado, o que, na minha opinião, é o único defeito do jogo – totalmente compreensível, já que se trata de um jogo feito em solo brasileiro. Para destacar as cartas é preciso ser cuidadoso - é importante fazer essa recomendação. Para os mais “chatinhos, outro pequeno detalhe que pode não agradar (para mim, ele é indiferente) é o saquinho azul utilizado para tirar os pinguins durante o jogo. É um saquinho de plástico bem simples, bem inferior àqueles usados nos “euros”, que geralmente são de pano. Mas isso, realmente, é o de menos.
Por outro lado, as peças dos pinguins, dos pesquisadores e do Homem das Neves (o “abominável”!) são de excelente qualidade. Faz realmente lembrar os jogos europeus.
O tabuleiro é bem legal, com tamanho adequado (tamanho de aproximadamente duas folhas de sulfite) e boa espessura. Os desenhos são muito bacanas, é importante frisar. Na área de jogo, está desenhada a lâmina de gelo de um lago congelado, todo cheio de bugiganga (que são obstáculos para os jogadores) e também de buracos, por onde os pesquisadores – e também os pinguins – podem entrar e sair do outro lado. Dentre os obstáculos estão uma geladeira velha e um cadáver congelado de mamute (sinistro!), que dão um charme especial à caçada. Não precisa dizer que as partidas, nesse cenário, são um sarro, né?

Componentes e arte

Em termos de componentes e arte, a Game Office acertou em cheio. Todos sabemos o quanto é difícil publicar um jogo nacional, ainda mais para um mercado que ainda é pequeno. Com isso em mente, só resta elogios à publicação do jogo, pois, apesar de ainda não chegar ao patamar dos importados, a empresa está apostando em bons autores e num hobby em franca expansão.
Quanto à jogabilidade, “Pega o Pinguim” com certeza já entrou no rol dos principais jogos brasileiros. É leve, rápido, e pode ser jogado tranquilamente por crianças e adultos – um digno family game! Para os mais “gamers”, há uma versão avançada, que inclui a mecânica de leilão ao jogo, deixando-o mais disputado.

Essa flexibilidade do jogo vem de encontro à adaptação pela qual os consumidores de jogos de tabuleiro estão passando no Brasil. Isso porque, cada vez mais, os jogos estão ganhando um caráter mais adulto, deixando de ser “brinquedo” para ser um produto de “entretenimento”. Nessa metamorfose (palavra bonita, heim?), a flexibilidade de regras é essencial para que tanto adultos quanto crianças se satisfaçam com a experiência lúdica.

O jogo

A primeira coisa a fazer é tirar os pinguins do saco e colocá-los nos ninhos, que ficam na primeira fila de hexágonos do tabuleiro. Por falar em hexágono, o tabuleiro é cheio deles, ao estilo dos wargames.
Assim que os pinguins são colocados, escolhe-se a ordem dos jogadores. Na versão simplificada, ela é feita por sorteio. Na avançada, os jogadores dão lances – aquele que jogar a carta com valor mais alto fica como primeiro jogador, aquele que jogar a segunda carta mais alta fica como segundo, e assim por diante. O último jogador tem o privilégio de colocar o Homem das Neves no tabuleiro! Um benefício e tanto, já que ele vai poder colocar a abominável figura para atrapalhar os outros jogadores durante a caçada aos pinguins. Vale lembrar que o Homem das Neves ocupa dois hexágonos, ao contrário dos pesquisadores e pinguins, que só ocupam um.
Estabelecida a ordem dos jogadores, é hora de colocar os personagens no tabuleiro. Cada jogador coloca seu pesquisador em qualquer uma das quatro fileiras de baixo (onde está desenhado um pier de madeira). O Homem das Neves também é colocado nessa fase, pelo último jogador.
Em seguida, uma “cartela de movimentação” dos pinguins é tirada. Os bichinhos se movimentam conforme a indicação dessa cartela (eles andam em linha reta para o ponto cardeal indicado). Os pinguins são numerados de 1 a 8, em várias cores. A cartela dá o número do pingüim e a direção. Por exemplo, a cartela indica que os pinguins de número “2” andem para o “Norte” – então todos os pinguins de número “2” andam duas casas para a direção “Norte”. Terminada a movimentação dos 12 pinguins, está feita a configuração da rodada.
Agora é hora de distribuir as cartas. Cada jogador recebe 6 cartas – 3 de movimento e 3 de ação. Cada jogador pode gastar duas cartas de sua mão por turno. Pode gastar ainda uma terceira carta, desde que jogue uma peça de ação extra (cada jogador pode jogar duas peças de ação extra durante toda a partida). As cartas de movimentação servem para os pesquisadores caminharem pelos hexágonos. Se passar por um pinguim, ele está caçado! Já as cartas de ação facilitam a caça de pinguins, pois elas permitem usar vara, isca e mão retrátil – cada uma com sua especialidade. Com a vara, por exemplo, o pesquisador pode capturar pinguins distantes do hexágono em que se encontra. Essa distância é detalhada na carta – uma carta de vara com valor “3” significa que o jogador consegue caçar um pinguim a até 3 hexágonos de distância.
Terminada essa fase, os jogadores recolhem os pesquisadores e o abominável Homem das Neves e repõe a mão de cartas – lembrando que cada um tem que ter sempre seis. Termina-se a rodada. Para começar a nova, conta-se o número de pinguins restantes no tabuleiro e, como tem que ter 12 pinguins no jogo, coloca-se no ninho o número de pinguins necessários para completar esse número. Para isso, tira-se um pinguim por vez do saco, colocando-os nos ninhos.

Quem ganha

O jogo termina quando não há pinguins suficientes para repor os 12 ninhos. Quando essa rodada terminar (jogada com os pingüins restantes), o jogo termina.
Os jogadores, então, contam quantos pontos fizeram, somando os valores dos pinguins conforme as cores. Os bichinhos de cor azul são os mais pobrezinhos: valem apenas 3 pontos cada. Os roxos valem 4 e os amarelos 5. Os verdes (os palmeirenses vão gostar deste aqui) são os que mais valem: seis pontos.

Nota do jogo

Agora, a parte mais difícil: qual a nota do jogo? Depois de algumas partidas, dou nota 9 (nove) para o “Pega o Pinguim”, tendo em conta que é um jogo puramente brasileiro. Acho que a publicação do jogo é um grande avanço para o mercado de board game nacional, assim como o “Recicle”, também lançado recentemente. Se fosse no mercado europeu, ainda assim eu daria uma boa nota: 7 (sete).
Parabéns à dupla Zatz – Halaban e, claro, à Game Office.
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